Prosa de Mulher: a diversidade da literatura feita por mulheres.
- Keyla Fernandes

- há 20 horas
- 4 min de leitura
No dia 13 de junho aconteceu o 3º Prosa de Mulher, roda de conversa, promovida pelo Coletivo Marianas, na qual duas autoras apresentam seus trabalhos e conversam sobre ele com os presentes.
O Prosa de Mulher acontece a cada dois meses no CEFURIA, aqui em Curitiba e é aberto ao público. Eu participei da primeira edição com o meu livro, O Evangelho da Noite, ao lado da escritora e revisora Tânia D’Arc, com seu livro de contos, Entraves e Entranhas. E caso vocês tenham interesse em saber mais sobre o evento, é só acompanhar o perfil do Coletivo Marianas e dar uma olhada no site.
As autoras da vez foram a Adriana Tozzi, com seu livro A Mulher Polvo, e a Cíntia Ishizaka, com o livro Caminho de Seda e Pedra. Esse último, ainda não li, mas me emocionei muito com a autora falando sobre, e ele já está aqui, na minha estante, e será minha próxima leitura. Já A Mulher Polvo eu li em abril, e pretendo fazer um vídeo sobre ele em breve. (No final vou deixar os links para os livros.)

O que eu gostaria de falar sobre esse encontro, e sobre todas as experiências que tenho tido com as autoras do Coletivo Marianas, é que a literatura feita pelas mulheres é incrivelmente diversa, visceral, poderosa e libertadora.
E por que estou falando isso?
Na bolha da internet, sabemos que tudo é muito distorcido. Somos bombardeados com informações rápidas e rasas, e há uma tendência à padronização de alguns comportamentos e ideias. E uma coisa que sempre me incomodou na bolha literária digital é a ideia de que mulheres apenas leem e escrevem livros de romance ou eróticos (ou hot).
E antes que me xinguem sem terminar de ler: não tem nada de errado em mulheres escrevendo esses gêneros, tá!
A questão é que mulheres leem e escrevem de tudo, tudo mesmo. E é aí que entra a reflexão que o Prosa de Mulher me fez ter.

Enquanto a Adriana falava sobre como seu livro abordava a raiva que as mulheres sentem e o monstro que guardamos em nós, e a Cíntia falava que seu livro foi escrito para seus pacientes , a partir de suas experiências como psicóloga (sem expor a história de ninguém, claro), citava as mulheres que formaram uma rede que possibilitou ser quem ela é, e de questões internas importantes tratadas ali, eu pensei: as pessoas precisam conhecer mais da literatura feita pelas mulheres para além dos títulos famosos que vemos na Amazon e nas grandes redes de livrarias.
Elas precisam conhecer essa literatura que vem de dentro de nossos corpos, de anos, até séculos, de vivências e experiências que se entrelaçam, se repetem e se transformam, nos possibilitando enxergarmos umas às outras, enxergarmos a nós mesmas.
Essa literatura que vem do ódio, da raiva que sentimos, porque sim, mulheres (e creio que qualquer minoria que se vê sendo violentada e morta todos os dias) sentem raiva o tempo todo. Mas que também vem de um lugar de amor, de esperança, de uma vontade imensa de curar feridas ancestrais.

E não que as autoras e leitoras de romance estejam esvaziadas dessas questões, não é disso que estou falando. Só acho importante pontuar que muitos romances e hots são escritos dentro de um padrão mercadológico, para se tornarem virais, os mais vendidos, e para isso as narrativas acabam reproduzindo determinados modelos de comportamento e relacionamentos, tornando-se bastante parecidos e, alguns, um tanto problemáticos. E sim, essa é uma crítica (principalmente ao mercado). O trabalho de nenhuma de nós está imune a críticas, e criticar faz parte da experiência como leitor e é bastante saudável, desde que as críticas sejam coerentes e feitas com sensatez e respeito.
O que eu quero pontuar é a importância de percebermos a diversidade e a profundidade da literatura feita por mulheres, até porque, independente do gênero que escrevemos, nossa literatura sempre foi, e ainda continua sendo vista como menor. Como se a “literatura feminina” (e uso o termo feminina ironicamente) fosse um nicho, algo a parte do resto da literatura, como se não fosse algo universal.
Estar em espaços criados por escritoras e artistas mulheres me permitiu respirar, abriu minha mente e expandiu meu mundo. Estar com autoras de diversas etnias, sexualidades, identidades sexuais e idades me mostrou que o quanto as redes sociais e plataformas digitais podem distorcer as coisas e fazer muita gente acreditar que aquilo ali é tudo o que existe para ser lido.
Então, eu deixo aqui o meu convite para que vocês conheçam o trabalho dessas e outras autoras incríveis, começando pelo Coletivo Marianas. Leiam a poesia, as crônicas, os contos e os romances. As histórias de terror, comédia e drama, os livros infantis, os ensaios e aqueles escritos que nem cabem em caixinhas.
Os livros Caminho de Seda e Pedra, da Cíntia Ishizaka, e o livro A Mulher Polvo, de Adriana Tozzi, são publicações da Editora Donizela, e você pode encontrá-los aqui:












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