(Des)indicação de leitura: A Empregada
- Keyla Fernandes

- há 4 horas
- 2 min de leitura
Essa resenha é minha contribuição com a Leitura Coletiva do Booktiba
Não, eu não gostei de A Empregada, de Freida McFadden.

A capa já anunciava um “plot twist de cair o queixo”. Não é muito inteligente jogar a expectativa dos leitores lá em cima, ainda mais em um gênero no qual reviravoltas mirabolantes já são esperadas. E como dizia Tywin Lannister: "Qualquer homem que precise dizer 'Eu sou o rei' não é um verdadeiro rei".
O livro tem uma premissa e ganchos interessantes e poderia ser muito bom, até porque tenta abordar um tema sério e pesado. Mas faz isso de maneira rasa, com uma escrita fraca, cheia de frases mal construídas, clichês muitas repetições de ideias e de descrições desnecessárias, mecânicas e sem brilho. A autora parece subestimar a inteligência e capacidade de compreensão de ideias simples por parte dos leitores.
A história é narrada em primeira pessoa, por Millie, uma jovem de 28 anos que acabou de sair de um período de 10 anos presa. Mas parece ter saído da Coitadolândia.

O fato de que ela precisa se sujeitar a um emprego abusivo para não voltar a ser presa, e as consequências do encarceramento DE UMA DÉCADA parecem não existir, e não são explorados pela história. Enquanto isso, é repetido exaustivamente que Millie está sendo perseguida pela patroa e atraída pelo patrão. Assim, quando descobrimos as motivações para o crime de Millie, e como isso influencia sua tomada de decisões no último ato da história, o impacto é ínfimo. A informação parece jogada, como se tivesse sido tirada do c… do nada. O que é uma pena, pois, se melhor trabalhada, traria mais carga dramática, aprofundaria a trama e criaria maior empatia com Millie, que tem sua personalidade construída para ser uma coisa(sonsa), e do nada, muda. E isso não é porque ela era uma mentirosa psicopata. Não. Ela só foi mal escrita.

Já Nina, a personagem da patroa, foi melhor trabalhada. O jogo que a autora tenta fazer com Millie, de mostrar uma faceta e depois revelar outra, foi melhor executado aqui. Nina é a única personagem interessante da trama e sua história foi a única que realmente me interessou (mesmo tendo os mesmos problemas de escrita). Talvez por não ficar o tempo todo tentando convencer o leitor de que ela é uma pobre coitada, e também porque temos mais contato com suas diferentes camadas e podemos observar seu desenvolvimento como pessoa.
No fim, temos um livro que se apoia em um tema espinhoso para atrair leitores, mas que não tem coragem de se aprofundar na discussão, usando algumas cenas mais chocantes como forma de sinalizar o problema.
Tudo isso com uma escrita fraca que prejudica bastante a imersão e o entretenimento.



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